12.6.15

amor fati


VII       estreito bilíngüe

entre naves e barcas navega,
nos nomes, oceano em terra

de duas línguas o marulho inaudito;
e é o corpo, sim, a traduzir corrente

fonia desatada de átimos e sílabas:
era o estreito, era o passo, o limiar

(ora um perguntaria a seco se era
para se tornar mar para o outro.)

Simone Homem de Mello, Terrenos Dísticos



quebro
portas e janelas

todos os vidros da sua casa
porque sou a dinamite e um destino

vejo as vísceras espraiadas
beijo a pólvora 

e o remorso: você 
está por toda parte 

colando os cacos 
cortando os dedos 

ferindo a boca com pregos 
interditando o caminho: você

não me deixa entrar
não me deixa entrar

mas eu já entrei 
e agora não há lugar 

mais estreito que o Atlântico
escute atentamente

a sintaxe do martelo 
o uivo ao fundo o choro das crianças 

é a última ceia e o banquete
é uma promessa: eu juro 

derreter as chaves 
atear fogo ao corpo 

e soprar 
minhas cinzas em seus cabelos

apenas para lembrá-lo 
que o tempo é justo  

quando é seu servo e quando sou 
a dinamite e um destino

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Licença Creative Commons
sede de pedra de Rita Barros é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.