28.2.14

cigana do banco

cigana do banco fazendo
ciranda de velas 
pombas pipocas-
doces dedos
escarlate

a boca cheia
de dentes 
de ontem 
de ouro

com o cabelo muito loiro e débil
e a boca que guarda o mundo, ela
liberta todos os presos
                        
danço com eles pela faixa preferencial
danço sua gaiola de gárgulas
e esqueço

[ela desenha um círculo 
de tabaco e pena
na calçada em frente
ao banco real]

tenho medo da cigana 
fazendo-me tranças 
atrás dos olhos, invisíveis

pedestres retrovisores e postes

Licença Creative Commons
sede de pedra de Rita Barros é licenciado sob uma Licença Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Não Adaptada.